Sistema de vigilância da gripe sazonal vai ser alargado ao novo coronavírus

por Teresa Mendes | 30.04.2020

Existe a possibilidade de que no  inverno tenhamos em circulação os dois vírus
O sistema de vigilância sentinela da gripe sazonal vai ser alargado à Covid-19 para «conhecer com detalhe» o que se vai passar na população portuguesa com a coexistência dos dois vírus, revelou esta quarta-feira à Lusa o epidemiologista Carlos Dias.

Como é sabido, desde 1990 que a Rede Médicos-Sentinela, um sistema de observação baseado nos cuidados de saúde primários, faz a vigilância epidemiológica da gripe, sendo agora o objetivo «adaptá-la ao novo coronavírus SARS-Cov2», adiantou o coordenador do Departamento de Epidemiologia do Instituto Nacional Dr. Ricardo Jorge (Insa).

«Esse é um aspeto muito importante que está a ser preparado desde já» porque são «duas doenças que têm uma expressão respiratória óbvia, em termos de sinais, de sintomas, a tosse, febre, dificuldade respiratória, etc.», referiu Carlos Dias.

Como tal, quando existem «sistemas que vão recolhendo dados sobre pessoas com estas queixas convém destrinçar que agente está envolvido e convém fazê-lo o mais precocemente possível», considera o epidemiologista.

O sistema de vigilância sentinela da gripe sazonal vai ser alargado à Covid-19 para «conhecer com detalhe» o que se vai passar na população portuguesa com a coexistência dos dois vírus 

«Estamos no final da época gripal 2019/2020, mas é conveniente desde já preparar a próxima época de gripe porque existe a possibilidade, não negligenciável, de que no próximo inverno tenhamos em Portugal, na Europa e no mundo a circulação desses dois vírus, ou seja, ao mesmo tempo podemos ser infetados pelo vírus da gripe sazonal e pelo vírus que causa a Covid», salientou Carlos Dias, lembrando que «a gripe sazonal tem épocas em que o vírus é pouco agressivo, mas tem outras em que é mais agressivo».

O vírus que causa a doença Covid-19, apesar de já ter sofrido algumas mutações, não tem evidência ainda de que essas mutações tenham resultado em formas menos agressivas da sua infeção.

Como tal, o coordenador do Departamento de Epidemiologia do Insa defende que «o país tem de se preparar desde já» com sistemas de informação para que «até a próxima época de gripe» e durante toda a época se possa «conhecer com detalhe e com um atraso mínimo o que é que se vai passar na população portuguesa quanto à coexistência deste dois vírus».

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30 de Abril de 2020

Publicada originalmente em www.univadis.pt

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