CEMP contra aumento de vagas nos cursos de medicina

por Teresa Mendes | 01.06.2020

Conselho convida Manuel Heitor para reunião 
Numa carta aberta ao ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, o Conselho de Escolas Médicas Portuguesas (CEMP) mostra a sua «estranheza» por ter tido conhecimento, através dos meios de comunicação social, da intenção de alargar em 15% o número de novos alunos de Medicina, nos cursos lecionados fora de Lisboa e Porto, a saber, Coimbra, Minho e Beira Interior.

Na missiva, publicada este sábado no site da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, o CEMP diz também estranhar o facto de não ter sido inquiridos sobre esta eventual medida, «nomeadamente, quanto à existência, ou não, de condições de acolhimento deste excedente de alunos pelas respetivas escolas médicas, sobretudo, considerando o período de incerteza que ainda estamos a viver, face à pandemia de Covid-19, que veio criar desafios particularmente difíceis às Faculdades de Medicina, nomeadamente, nos seus ciclos clínicos».

«O aumento do número de alunos irá naturalmente degradar a qualidade do ensino, sobretudo nas vertentes clínicas, dada a manifesta incapacidade de cumprir com rácios aceitáveis», adverte o CEMP 

O CEMP lembra a sua posição pública em relação a este assunto, reforçando que «não há qualquer evidência que consubstancie a necessidade de aumentar o número de entradas em Medicina em Portugal, por várias ordens de razões».

Segundo aquele Conselho, «a capacidade formativa das Faculdades de Medicina está esgotada há muito, para garantir um ensino de qualidade, quer pelas suas condições de espaços físicos, quer pela ausência de capacidade de contratação de recursos humanos que permitam um rácio aluno/tutor de acordo com as recomendações internacionais».

Além disso, «existe uma oferta formativa atualmente mais do que adequada às necessidades do país em médicos».

Por fim, diz a missiva dirigida a Manuel Heitor, «Portugal surge em oitavo lugar (em 36) quanto ao número de novos formandos em Medicina por ano: 16,1 por 100.000 habitantes, em 2017, sendo a média da OCDE de 13,1 novos médicos por 100.000 habitantes».

Logo, considera o CEMP, «o aumento do número de alunos irá naturalmente degradar a qualidade do ensino, sobretudo nas vertentes clínicas, dada a manifesta incapacidade de cumprir com rácios aceitáveis».

Manifestando publicamente «o receio que algumas estruturas privadas, sistematicamente reprovadas na suas intenções de abrir Escolas de Medicina em Portugal, queiram aproveitar este momento para fazer valer os seus argumentos demagógicos e conseguir aquilo que em tempos normais não conseguiram», o CEMP convida o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior para uma reunião, para o «elucidar de forma adequada sobre o Ensino Médico em Portugal, quais as suas fraquezas, as suas limitações, as suas necessidades e evitar, acima de tudo, que se possam tomar medidas desenquadradas da realidade, com potenciais consequências devastadoras no ensino médico em Portugal e, consequentemente, na qualidade da prestação de cuidados médicos no País».

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01 de Junho de 2020
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Publicado previamente em  www.univadis.pt

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