«É impensável que o Hospital dos Covões perca diferenciação»
por Teresa Mendes | foto de "DR"https://www.cardiologiahg.net | 09.06.2020
OM associa-se ao cordão humano contra o alegado encerramento do SU
A Ordem dos Médicos (OM) associou-se esta terça-feira ao cordão humano em defesa do Hospital dos Covões, em Coimbra, em protesto contra o alegado encerramento ou «esvaziamento» do Serviço de Urgência (SU).
«A Ordem dos Médicos não podia deixar de estar solidária», destaca o organismo num comunicado.
«Depois de nos últimos meses o Hospital dos Covões, em Coimbra, ter sido uma referência no combate à pandemia, a dedicação e a qualidade dos médicos e restantes profissionais parece estar já a ser esquecida pela tutela», lamenta a OM.
A Ordem recorda que o conselho de administração do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) avançou que pretende fechar esta urgência hospitalar, o que provocou diversos protestos, nomeadamente de um grupo independente de cidadãos, que marcou um cordão humano para terça-feira, nos Covões.
«Depois de nos últimos meses o Hospital dos Covões, em Coimbra, ter sido uma referência no combate à pandemia, a dedicação e a qualidade dos médicos e restantes profissionais parece estar já a ser esquecida pela tutela», lamenta a OM
«A Administração Regional de Saúde do Centro (ARSC) em vez de afastar totalmente a ideia, promovendo uma visão integrada de melhoria dos serviços da região, indicou que a urgência não vai fechar, mas transformar-se antes numa urgência básica, que também não serve o melhor interesse dos doentes», considera o bastonário da OM, Miguel Guimarães, salientando que a pandemia veio demonstrar «a importância e necessidade imperiosa» de serviços de saúde públicos de qualidade, reforçando essa perceção entre os cidadãos.
«Infelizmente, parece que essa mesma perceção está, uma vez mais, a passar ao lado tanto do conselho de administração do CHUC como da ARSC», lamenta o dirigente na mesma nota à Imprensa.
O bastonário assegura que «o combate à Covid-19 ainda não acabou, mais do que nunca o Serviço Nacional de Saúde vai enfrentar um período de retoma muito difícil, com milhares de doentes a verem os seus problemas de saúde por diagnosticar ou a agravar perante os exames, consultas e cirurgias desmarcados».
Neste contexto, acrescenta, «é impensável que o Hospital dos Covões perca diferenciação, vendo a sua urgência transformada numa urgência básica, com menos valências e menos especialidades e com uma resposta que fica muito aquém das necessidades».
Recorde-se que o presidente do CHUC, Fernando regateiro, realçou, no dia 24 de maio, a importância dos Covões para acolher «funções assistenciais relevantes» e negou o seu alegado esvaziamento.
No domingo, a ministra da Saúde afirmou não ter conhecimento oficial da intenção do CHUC vir a encerrar a Urgência do Hospital dos Covões e disse que qualquer decisão «tem de ser técnica».
«Não tivemos ainda nenhuma abordagem formal quanto a esse tema, nem pela ARSC, nem pelo conselho de administração do CHUC», respondeu Marta Temido, na conferência de imprensa diária sobre a situação epidemiológica da Covid-19 em Portugal.
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09 de Junho de 2020
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Publicado previamente em www.univadis.pt
«É impensável que o Hospital dos Covões perca diferenciação»