«Cerca de 38% dos doentes com diabetes tipo 2 não aderem à terapêutica»

por Teresa Mendes | 12.06.2020

Depressão e solidão condicionam a adesão, salientam investigadores da FMUP 
Estar deprimido e viver sozinho são dos fatores mais associados a uma baixa adesão ao tratamento da diabetes tipo 2.

A conclusão é de um estudo realizado por investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) e do CINTESIS – Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde.

A investigação, recentemente publicada na Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, coordenada por Paulo Santos, concluiu que «cerca de 38% dos doentes com diabetes tipo 2 não aderem à terapêutica, isto é, não tomam corretamente os fármacos que lhes são receitados pelo médico para controlar a doença.

E entre estes, os diabéticos com sintomas depressivos ou que vivem sozinhos são os que apresentam pior adesão aos tratamentos».
Já em sentido contrário, os doentes diabéticos com hipertensão, que nunca fumaram e os que vivem com o(a) parceiro(a) são «os que apresentam taxas mais elevadas de adesão à terapêutica farmacológica, evidenciando a importância de determinantes sociais no controlo da doença».

Estar deprimido e viver sozinho são dos fatores mais associados a uma baixa adesão ao tratamento da diabetes tipo 2. A conclusão é de um estudo realizado por investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e do Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde 

«Aparentemente a hipertensão será percebida como uma doença mais grave e, portanto, arrasta consigo uma melhor adesão aos tratamentos neste grupo de diabéticos», afirmam os autores do estudo, citados num comunicado.

A amostra do estudo incluiu quase uma centena de participantes, sobretudo mulheres (54%), com uma idade média de 61 anos, menos de nove anos de escolaridade (88%) e já na reforma (62%).

Em média, estes doentes sofrem de diabetes há cerca de 10 anos, tomam mais de quatro medicamentos diferentes por dia e apresentam outras doenças, como a hipertensão arterial (63%), a dislipidemia (46%) e a obesidade (38%).

A má adesão ao tratamento da diabetes surge associada a níveis significativamente mais elevados de glicose no sangue, traduzidos em valores superiores de hemoglobina glicada, o que reflete um mau controlo da doença.

«Estes resultados ajudam a perceber quais os doentes em maior risco de não adesão, onde os médicos deverão ter uma atitude proativa de rastreio sistemático do grau de adesão aos tratamentos, numa perspetiva abrangente, de olhar para a pessoa como um todo e não apenas como o portador de determinada doença», evidenciam os investigadores.

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12 de Junho de 2020
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Publicado previamente em  www.univadis.pt

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