Fisiatras alertam para «efeitos potencialmente irreversíveis» da abolição da MFR
 

por Teresa Mendes | 15.06.2020

«É essencial conseguirmos exercer medicina»
 
Dois fisiatras do Serviço de Medicina Física e de Reabilitação (MFR) do Centro Hospitalar Universitário do Algarve alertam, numa carta ao editor publicada na mais recente edição da Acta Médica Portuguesa, para as graves consequências da abolição da atividade presencial de MFR, que está a afetar «a qualidade dos cuidados prestados numa fase aguda, subaguda e crónica».

«Enquanto fisiatras, preocupa-nos o nível funcional e proteção de todos, pelo que urge uma reorganização e reinvenção ágil da Reabilitação para minorar o impacto, direto e indireto, que a pandemia Covid-19 está a ter na autonomia e capacitação da população portuguesa», defendem Cristiana Lopes Martins e Jonathan Rios, considerando que «no encerramento deste e na preparação de futuros surtos, é essencial conseguirmos exercer medicina paralelamente à presença deste coronavírus».

«Na área da MFR em Portugal assistimos à reformulação dos diferentes níveis de cuidados de reabilitação.
Nos hospitais e centros de reabilitação, a atividade assistencial presencial foi praticamente abolida, na consulta externa e nos programas de reabilitação (PR) de ambulatório, sendo substituída maioritariamente pela teleconsulta e telerreabilitação.

«A diminuição dos recursos da Reabilitação está a condicionar a qualidade dos cuidados prestados numa fase aguda, subaguda e crónica» e «todas estas adaptações têm implicação direta na saúde e qualidade de vida dos doentes», denunciam os autores na carta ao editor publicada na Acta Médica Portuguesa 

Contudo, os ganhos presenciais são frequentemente insubstituíveis», começa por contextualizar a carta ao editor.

«As unidades com internamento sofreram uma redução do número de admissões e de internados. Adicionalmente, muitas unidades de reabilitação têm o seu espaço físico ocupado, por tempo indefinido, por internamentos Covid-19 e para libertar vagas hospitalares.

Os PR realizados nas fases subaguda e crónica em unidades de reabilitação com convenção com o Sistema Nacional de Saúde encontram-se também encerradas, para proteção de doentes e profissionais», acrescenta o documento.

Como consequência, «a diminuição dos recursos da Reabilitação está a condicionar a qualidade dos cuidados prestados numa fase aguda, subaguda e crónica» e «todas estas adaptações têm implicação direta na saúde e qualidade de vida dos doentes», denunciam os autores.

Na fase aguda e subaguda, com a doença cerebrovascular como exemplo paradigmático, «condicionam a intervenção numa etapa crítica de neuroplasticidade, com efeitos potencialmente irreversíveis».

Nos casos crónicos, como condições severas da idade pediátrica, «implicam perda de autonomia e agravamento do status funcional», notam Cristiana Lopes Martins e Jonathan Rios.

Adicionalmente, «aumenta a proporção de doentes com limitações funcionais secundárias a infeções por Covid-19» observam os fisiatras, considerando que «é fundamental uma resposta rápida da Reabilitação para minimizar o impacto funcional destas sequelas, otimizar o nível de capacitação em termos de atividade destes novos doentes, reduzindo a restrição à participação».

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15 de Junho de 2020
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Publicado previamente em  www.univadis.pt

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