«Escolas médicas já ultrapassaram o limite de estudantes de Medicina que podem formar»
por Teresa Mendes | 18.06.2020
Bastonário avisa que aumento de vagas em Medicina vai baixar qualidade
À semelhança do Conselho Escolas Médicas Portuguesas (CEMP), também o bastonário da Ordem dos Médicos se mostrou contra o aumento do número de vagas nas faculdades de medicina autorizado para o próximo ano letivo, considerando que vai conduzir à «diminuição da qualidade da formação».
Esta quarta-feira, à margem de uma visita ao Hospital de Braga, Miguel Guimarães afirmou que não há falta de médicos em Portugal e considerou «profundamente lamentável» e uma «falta de consideração enorme» que o Governo não tenha ouvido as escolas de medicina, as associações de estudantes e a própria Ordem antes de tomar a decisão de permitir o aumento de vagas.
O dirigente sublinhou que «as nossas escolas médicas já ultrapassaram o limite de estudantes de medicina que podem formar», explicando que «as capacidades tidas em termos de ensino teórico e clínico levam a que seja muito difícil acomodar mais 15% de estudantes nas nossas escolas médicas e isso seguramente que irá levar a que exista diminuição da qualidade na formação dos médicos».
Miguel Guimarães considerou «profundamente lamentável» e uma «falta de consideração enorme» que o Governo não tenha ouvido as escolas de medicina, as associações de estudantes e a própria Ordem antes de tomar a decisão de permitir o aumento de vagas
Miguel Guimarães observou ainda que Portugal é um dos países da OCDE «que mais médicos forma por mil habitantes» e que em Portugal há cerca de 55 mil médicos inscritos, mas só 28 ou 29 mil estão no Serviço Nacional de Saúde (SNS). «Os outros estão fora [do SNS].
Ou seja, há médicos, o que é preciso é contratá-los», vincou em declarações à agência Lusa.
No mesmo dia, o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior considerou positiva a possibilidade de aumentar os lugares disponíveis nos cursos de Medicina, afirmando não compreender a posição dos diretores das escolas médicas que criticaram as regras para a fixação de vagas.
«Queremos ter mais jovens que querem estudar Medicina e, portanto, é algo que nos deve encher de orgulho e de ambição para podermos alargar em Portugal o ensino das ciências biomédicas», disse Manuel Heitor, em declarações aos jornalistas, à margem da apresentação das iniciativas ibéricas de investigação e inovação, que decorreu esta quarta-feira em Lisboa.
Manuel Heitor disse não compreender as críticas do CEMP, afirmando que nos últimos meses, em que visitou universidades e politécnicos por todo o país, vários dirigentes transmitiram a vontade de abrir mais vagas a estudantes internacionais.
«Esta é uma área em que, ao contrário de muitas outras, temos uma vaga para cada quatro candidatos e, por isso, não posso acreditar que não há espaço para os portugueses, mas há espaço para os estudantes internacionais», sublinhou.
Recorde-se que o despacho que define as regras para a fixação de vagas no ensino superior foi publicado na segunda-feira e prevê a possibilidade de as instituições aumentarem até 15% o número de vagas para o próximo ano letivo.
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18 de Junho de 2020
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Publicado previamente em www.univadis.pt
Esta quarta-feira, à margem de uma visita ao Hospital de Braga, Miguel Guimarães afirmou que não há falta de médicos em Portugal e considerou «profundamente lamentável» e uma «falta de consideração enorme» que o Governo não tenha ouvido as escolas de medicina, as associações de estudantes e a própria Ordem antes de tomar a decisão de permitir o aumento de vagas.
O dirigente sublinhou que «as nossas escolas médicas já ultrapassaram o limite de estudantes de medicina que podem formar», explicando que «as capacidades tidas em termos de ensino teórico e clínico levam a que seja muito difícil acomodar mais 15% de estudantes nas nossas escolas médicas e isso seguramente que irá levar a que exista diminuição da qualidade na formação dos médicos».
Miguel Guimarães considerou «profundamente lamentável» e uma «falta de consideração enorme» que o Governo não tenha ouvido as escolas de medicina, as associações de estudantes e a própria Ordem antes de tomar a decisão de permitir o aumento de vagas
Miguel Guimarães observou ainda que Portugal é um dos países da OCDE «que mais médicos forma por mil habitantes» e que em Portugal há cerca de 55 mil médicos inscritos, mas só 28 ou 29 mil estão no Serviço Nacional de Saúde (SNS). «Os outros estão fora [do SNS].
Ou seja, há médicos, o que é preciso é contratá-los», vincou em declarações à agência Lusa.
No mesmo dia, o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior considerou positiva a possibilidade de aumentar os lugares disponíveis nos cursos de Medicina, afirmando não compreender a posição dos diretores das escolas médicas que criticaram as regras para a fixação de vagas.
«Queremos ter mais jovens que querem estudar Medicina e, portanto, é algo que nos deve encher de orgulho e de ambição para podermos alargar em Portugal o ensino das ciências biomédicas», disse Manuel Heitor, em declarações aos jornalistas, à margem da apresentação das iniciativas ibéricas de investigação e inovação, que decorreu esta quarta-feira em Lisboa.
Manuel Heitor disse não compreender as críticas do CEMP, afirmando que nos últimos meses, em que visitou universidades e politécnicos por todo o país, vários dirigentes transmitiram a vontade de abrir mais vagas a estudantes internacionais.
«Esta é uma área em que, ao contrário de muitas outras, temos uma vaga para cada quatro candidatos e, por isso, não posso acreditar que não há espaço para os portugueses, mas há espaço para os estudantes internacionais», sublinhou.
Recorde-se que o despacho que define as regras para a fixação de vagas no ensino superior foi publicado na segunda-feira e prevê a possibilidade de as instituições aumentarem até 15% o número de vagas para o próximo ano letivo.
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18 de Junho de 2020
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Publicado previamente em www.univadis.pt
«Escolas médicas já ultrapassaram o limite de estudantes de Medicina que podem formar»