Hospital de Setúbal corre o risco de ficar sem capacidade de resposta 

por Teresa Mendes | 19.06.2020

Ordem dos Médicos junta-se ao grito de alerta dos diretores de serviço
As estruturas obsoletas e reduzidas do Centro Hospitalar de Setúbal, bem como o facto de não ser reconhecida totalmente a sua diferenciação, estão a comprometer a capacidade de resposta do Hospital de Setúbal. O alerta é dos diretores de serviço daquele hospital que apresentaram hoje um documento sobre os vários problemas que «merecem solução urgente».

A Ordem dos Médicos juntou-se aos protestos.
Em declarações à agência Lusa esta sexta-feira, o bastonário da Ordem dos Médicos (OM) alerta para o risco de o hospital continuar a perder profissionais de excelência, o que se traduzirá em menos valências e especialidades para os utentes.

«A OM não pode deixar de manifestar a sua solidariedade para com todos os médicos do Hospital de Setúbal e de se associar ao debate que pretende alertar para os riscos que o hospital corre já no presente», explicou Miguel Guimarães.

O dirigente recorda que «a diferenciação clínica que o hospital atingiu não foi acompanhada pelas instalações, o que se traduz numa organização muito disfuncional, de que é imagem principal o serviço de urgência e todos os problemas que vêm permanentemente a público».

O bastonário da Ordem dos Médicos alerta para o risco de o Hospital de Setúbal continuar a perder profissionais de excelência, o que se traduzirá em menos valências e especialidades para os utentes 

Além disso, «em termos de financiamento o hospital está a ser pago abaixo dos serviços que proporciona, o que cria também uma asfixia em termos económicos», acrescenta.

De acordo com o documento da iniciativa dos diretores de serviço do hospital apresentado hoje em Setúbal, há vários problemas que merecem solução urgente, dos quais se destaca a necessidade de ampliar o hospital para acolher a integração da Ortopedia que é suportada pelo Hospital do Outão.

A rutura permanente do Serviço de Urgência, os problemas nos meios complementares de diagnóstico, e a criação de condições atrativas para os atuais e novos profissionais estão também entre os principais alertas.

O documento dá exemplos concretos de várias especialidades, como a Anatomia Patológica que conta com apenas uma especialista, com 60 anos.

Os cuidados intensivos mantêm estrutura física idêntica e a mesma capacidade de internamento (7 camas) desde a sua inauguração em 1985, estando muito aquém do rácio de camas críticas recomendado.

No caso da Ginecologia/Obstetrícia, o quadro médico deveria ser constituído por 23 médicos especialistas com horário de 40 horas semanais, mas, neste momento, dispõe apenas de 10 médicos, alguns deles com horário parcial.

Já na Oncologia, em janeiro de 2019 existiam 6 oncologistas e ao longo dos últimos 18 meses foram saindo 5 dos 6 oncologistas acima referidos.
No Internamento, estão atribuídas ao Serviço de Oncologia 7 camas: 6 suites e uma em enfermaria de 4 camas.
A taxa de ocupação foi de 177,5%.

E a urgência, à falta de recursos humanos, junta uma área interior de 1200 metros quadrados, longe dos propostos 3000, num claro subdimensionamento para fazer face a uma procura média diária de 250 utentes.

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19 de junho de 2020
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Publicado previamente em  www.univadis.pt

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