Inquérito compara vontade de vacinação em vários países, entre os quais Portugal 

por Teresa Mendes | 29.06.2020

O economista Pedro Pita Barros é um dos autores deste inquérito 
Quando tivermos uma vacina para a Covid-19, vamos mesmo vacinar-nos?
E se (quando) houver vacina para a Covid-19 houver quem não queira vacinar-se e quem hesite?

Este foi o mote para um trabalho publicado no The European Journal of Health Economics.
O economista Pedro Pita Barros é um dos autores deste inquérito que envolveu sete países europeus, entre os quais Portugal. «Once we have it, will we use it?

A European survey on willingness to be vaccinated against Covid‑19» é o título da investigação publicada esta sexta-feira, um inquérito europeu sobre a vontade de ser vacinado contra a Covid-19.

De acordo com os autores, «embora atualmente o foco de atenção esteja no desenvolvimento de uma vacina contra o SARS-CoV-2, os decisores políticos devem preparar-se para o próximo desafio: a adoção da vacina entre o público, pois ter uma vacina não implica automaticamente que esta será administrada». Aliás, como lembram, na União Europeia, a falta de adesão à vacinação tem levado para o aumento de doenças que estavam controladas.

Disposição para ser vacinado?

Para esclarecer mais a questão da disposição para ser vacinado, foi então realizado um inquérito online, no período compreendido entre 2 e 15 de abril de 2020, com amostras representativas da população (em termos de região, género, faixa etária e educação) em sete países europeus (N = 7,662).

A amostra foi composta por cerca de 1.000 entrevistados por país e mais 500 da Lombardia, região altamente afetada. No total, 73,9% dos participantes declararam que estariam dispostos a vacinar-se contra a Covid-19 se uma vacina estivesse disponível.

E se (quando) houver vacina para a Covid-19 houver quem não queira vacinar-se e quem hesite? Este foi o mote para um trabalho de investigação, agora publicado no The European Journal of Health Economics

Já 18,9% dos entrevistados afirmaram não ter certeza e 7,2% afirmaram que não desejavam ser vacinados. Esta disposição em ser vacinado variou de 62% na França a aproximadamente 80% na Dinamarca e no Reino Unido.

A Alemanha e a França foram os países onde mais pessoas se mostraram contra a vacinação (10% em cada um deles) e a França foi também o país com mais indecisos sobre a vacinação (28%).

No caso concreto português, 74% dos inquiridos revelaram querer ser vacinados, 21% demonstraram indecisão e apenas 5% revelou não querer ser vacinado.

Mais de metade está preocupada com «os possíveis efeitos colaterais»

Os autores perguntaram de seguida aos entrevistados que não tinham certeza de querer ser vacinados sobre seus principais motivos, concluindo que «mais de metade (55%) disse estar preocupada com os possíveis efeitos colaterais de uma vacina, embora essa preocupação tenha sido mais frequente entre mulheres (36%) do que homens (19%)».

Além disso, cerca de 15% dos entrevistados disseram ainda que «uma vacina pode não ser segura, sem diferenças aparentes entre os sexos» ou ainda, na categoria «outros», que temem o facto de a vacina ser experimental, sem estudos sobre efeitos colaterais, podendo não ser segura para grupos específicos, como para mulheres grávidas ou doentes com doenças prévias, como esclerose múltipla, alergias, etc.

Segundo os investigadores, «estes achados são compatíveis com os descritos na literatura e associados a motivos frequentes de hesitação vacinal», concluindo que «pode ser necessário um esforço político considerável para que a vacina seja aplicada com uma taxa de vacinação adequada, especialmente em alguns países».

A imunidade através da vacinação exige que uma proporção suficiente da população seja vacinada e «se muitas pessoas hesitarem em ser vacinadas, esta imunidade pode não ser alcançada», destacam.

Em suma, os autores defendem ser necessário «melhorar a nossa compreensão sobre a hesitação vacinal no contexto da Covdid
-19», considerando que «encontrar e usar políticas para superara a doença pode ser tão importante quanto descobrir uma vacina segura e eficaz».

O artigo está disponível para consulta aqui.

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29de Junho de 2020
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Publicado previamente em  www.univadis.pt

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