João Madeira| 07.04.2015

Desmaterialização da receita médica

Artigo de Opinião de João Madeira*

Em 2014, e de acordo com números divulgados pelo Ministério da Saúde, a fraude no setor da Saúde ultrapassou os 340 milhões de euros. No entanto, parte deste valor desaparecerá e começará a aliviar o Sistema Nacional de Saúde (SNS) já em 2015, graças à completa desmaterialização da receita médica. 
O projeto acabou de arrancar nas farmácias portuguesas (iniciou a 2 de fevereiro), e vem adicionar transparência à prescrição e dispensa de medicamentos. Estava, aliás, previsto nas iniciativas estruturais da Saúde acordadas com a Troika e integradas no Memorando de Entendimento.

Transparência e redução de custos

O novo caminho começou a ser percorrido graças à cooperação entre o Ministério da Saúde (MS), a Associação Nacional de Farmácias (ANF) e a Mylan.
Uma plataforma foi criada e um equipamento instalado nas farmácias da ANF que, pela simples leitura do cartão de cidadão ou a introdução do número do utente, identifica quais as receitas prescritas a um utente do SNS e que são passíveis de serem dispensadas em qualquer farmácia em Portugal.

Além de introduzir transparência no processo, com o consequente impacto na redução dos custos de fraude, o sistema assegura todo o registo de prescrição e dispensa, bem como informações sobre a venda de medicamentos, que ajuda a caracterizar quer as necessidades e custos associados ao acesso ao medicamento, de uma forma em geral, quer aos benefícios inerentes ao planeamento e gestão dessas mesmas necessidades e custos.


Mas, os benefícios não se limitam a quem gere a Saúde e/ou prescreve/dispensa medicamentos; estes estendem-se aos utentes, trazendo-lhes um acréscimo de mobilidade no acesso à terapêutica.

João Madeira

Director-Geral da Mylan Portugal


Com este novo sistema o utente poderá agora comprar um de vários medicamentos que lhe foram prescritos numa mesma receita médica, levantando posteriormente outro ou outros, e podendo fazê-lo em diferentes farmácias, ao contrário do que acontecia até agora. 

Com este novo sistema o utente poderá agora comprar um de vários medicamentos que lhe foram prescritos numa mesma receita médica, levantando posteriormente outro ou outros, e podendo fazê-lo em diferentes farmácias


A inexistência de papel (receita física) e esta maior mobilidade são, por isso, um passo importante na desburocratização de um sistema pesado que é preciso aligeirar, sem com isto perigar a respetiva eficiência e segurança, ou colocar em causa a confiança e qualidade em que está assente o processo prescrição/dispensa de medicamentos.

Boa cooperação

Além dos benefícios diretos para o SNS esta medida representa também um exemplo do que a boa cooperação entre vários interlocutores da Saúde pode trazer aos portugueses. Esta iniciativa prova que, a cooperação entre três interlocutores – o Ministério da Saúde, as Farmácias e a Indústria Farmacêutica – podem juntar esforços num desafio que aguardava resposta desde 2013 e encontrar uma solução para um objetivo comum: a Saúde dos portugueses e a sustentabilidade do sistema. É para estes dois grandes objetivos que, na Mylan, continuaremos a trabalhar, apoiando as Farmácias e o Ministério da Saúde a implementar inovação, a trazer ao SNS novos focos de sustentabilidade e a fazer chegar aos portugueses medicamentos de qualidade e soluções de saúde mais eficazes, convenientes e competitivas. 

Além dos benefícios diretos para o SNS esta medida representa também um exemplo do que a boa cooperação entre vários interlocutores da Saúde


*Diretor-Geral da Mylan Portugal


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Notas da Redacção:
1-    Este artigo está editado de acordo com a grafia do Novo Acordo Ortográfico, ao invés do texto do «TM»
2-    Destaques e entretítulos da responsabilidade da Redacção





 
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