Rita Lopes da Silva| 20.10.2016

 Particularidades do AVC na criança

Opinião de Rita Lopes da Silva

O AVC é uma entidade mais rara na criança do que no adulto.
Pode ocorrer na gravidez, nos primeiros dias após o parto ou mais tarde na infância e adolescência.

As causas do AVC são diferentes e por vezes múltiplas, destacando-se as doenças cardíacas, hematológicas, infeciosas e metabólicas.

Quando ocorre um AVC, metade das crianças tem um fator de risco previamente conhecido, o que torna fundamental a instituição de medidas para a sua prevenção.

O tipo de AVC também varia consoante a idade; nos países ocidentais o AVC isquémico no adulto representa 80-85% e na criança surge em 55% dos casos, sendo os restantes AVC hemorrágicos causados sobretudo pela rotura de malformações vasculares ou doenças hematológicas.   

A apresentação clínica mais frequente do AVC isquémico é a hemiparesia aguda (falta de força em metade do corpo). Existe habitualmente um atraso significativo no diagnóstico (por vezes mais de 24h), devido ao não reconhecimento das manifestações iniciais pela família e profissionais de saúde, e estas serem atribuídas a outras doenças mais comuns (enxaqueca, epilepsia e infeções). A raridade do AVC neste grupo etário dificulta a realização de ensaios clínicos e a elaboração de recomendações clínicas baseadas em níveis de evidência sólidos.

Por este motivo, a maior parte das recomendações terapêuticas resulta da extrapolação dos resultados de estudos realizados em adultos e de consensos de grupos de peritos. Após um AVC, as crianças geralmente recuperam melhor e mais rapidamente.

Contudo, as sequelas motoras, cognitivas e comportamentais são valorizáveis (défice residual em 40-60%) e a mortalidade pode atingir 10-25%, pelo que o AVC está entre as 10 primeiras causas de morte na idade pediátrica.

No serviço de Neurologia Pediátrica do Ho

Rita Lopes da Silva

Neurologista pediátrica do Hospital de Dona Estefânia; Membro da SPAVC

spital Dona Estefânia – Centro Hospitalar de Lisboa Central, funciona a consulta de doenças neurovasculares que é única no país para este grupo etário. Na consulta são acompanhadas crianças/adolescentes que já sofreram um AVC, de modo a investigar a sua causa, instituir medidas para evitar a sua recorrência e promover a reabilitação.

São também avaliadas crianças/adolescentes que apresentam doenças cardíacas, hematológicas ou genéticas com um risco elevado de AVC.

Como exemplo, destaca-se o Programa de Vigilância e Prevenção da Doença Vascular Cerebral na Anemia de Células Falciformes, em estreita articulação com a Unidade de Hematologia do mesmo Hospital e a Unidade de Neurossonologia do Hospital de São José.

Artigo a propósito da sessão inserida na 14.ª Reunião da Sociedade Portuguesa do Acidente Vascular Cerebral, agendada para o dia 22 de outubro de 2016: 10h15/11h25 – Sessão: AVC na criança e adulto jovem

Presidência: Rita Lopes da Silva
10h15/10h35 – Particularidades no diagnóstico e terapêutica – Rita Lopes da Silva
10h35/10h55 – Papel da Neurorradiologia – Carla Conceição
10h55/11h20 – Papel da Neurossonologia – Manuel Manita
10h20/11h25 – Questões

Consulte aqui o programa da 14.ª Reunião da SPAVC.

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20 de Outubro de 2016


*Neurologista pediátrica do Hospital de Dona Estefânia,
Membro da SPAVC
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