Pedro Matos| 27.02.2018

Taking diabetes 2 the heart - Um projecto IDF para a doença CV

Opinião de Pedro Matos

O projecto Taking Diabetes 2 the Heart é uma das iniciativas da International Diabetes Federation (IDF) para abordar o problema da doença cardiovascular (DCV) nas pessoas com diabetes.
O objectivo do programa é sensibilizar os diabéticos para a importância da DCV no decurso da doença. E, subsequentemente, implementar estratégias de intervenção, acompanhamento e formas de controlo dos principais factores contributivos para o desenvolvimento da DCV.

Em simultâneo, pretende-se também optimizar modelos de educação terapêutica para os profissionais de saúde, com informação adequada sobre as manifestações clínicas, como e quando procurar doença subclínica e transmitir às pessoas com diabetes como devem fazer uma prevenção mais eficaz.

Maior percepção (awareness) das populações

Sabemos que a DCV é a principal causa de morte na Diabetes e que as pessoas que sofrem um evento CV, seja ele um AVC ou um enfarte, têm uma significativa redução na esperança de vida, em particular nos grupos etários mais jovens.
Portanto um dos grandes objectivos é evitar estes eventos, o que exige um esforço conjunto dos diabéticos e dos profissionais de saúde. Que só se poderá eventualmente conseguir com partilha de informação e uma maior percepção (awareness) das populações com risco acrescido.

No recente congresso da IDF, no Abu Dhabi, foram apresentados os resultados preliminares de um questionário (survey) para ser respondido pelas pessoas com diabetes.
O inquérito pretende avaliar a nível mundial a percepção das populações com diabetes sobre o impacto, relevância e prevalência da DCV. Para haver representatividade pretende-se que entre 5 e 10% das pessoas com DM em cada país possam respon

Pedro Matos

Médico, Especialista em Cardiologia (APDP e Hospital CUF Infante Santo)

der.

Números disponíveis

Até ao final de Novembro os números disponíveis são ainda pequenos, mas permitem desde já perceber a dimensão do problema. Houve 943 respostas, das quais 83% da Dinamarca (onde a estratégia de divulgação parece ter funcionado bem), sendo 10% adicionais dos EUA e Bélgica.

Os principais dados mostram que uma em cada três pessoas acham que a DCV constitui um risco baixo, 26% nunca ouviram falar de DCV ou só receberam informação vários anos depois do diagnóstico de DM e um em cada seis nunca falaram com um profissional de saúde sobre DCV.
Só 50% das pessoas foram informadas do problema antes do aparecimento da DCV.

Ideias erradas

Para além disso, existem várias ideias erradas sobre o que é a DCV na Diabetes.
60% das pessoas acham que são arritmias, 70% hipertensão arterial, 40-50% aneurisma da aorta e 15% doença renal crónica...
Em 40% das respostas considera-se que ter DCV confere um risco moderado e 25% um risco minor ou marginal. E isto numa população em que 1/3 dos indivíduos já teve mais que um evento CV major...

Portanto existe um claro “mismatch” entre a informação actual da população-alvo e aquilo que devia ser, sendo imperativo modificar estratégias e formas de comunicação para melhorar o estado das coisas.

Para além da apresentação pública dos primeiros resultados, houve outras iniciativas durante o congresso, nomeadamente uma conferência de imprensa em que tivemos o gosto de poder participar na mesa e uma sessão de divulgação dos projectos em curso para a DCV por parte da IDF.

Existe um claro “mismatch” entre a informação actual da população-alvo e aquilo que devia ser, sendo imperativo modificar estratégias e formas de comunicação para melhorar o estado das coisas 

Urge definir objectivos e metodologias para aumentar a percepção das populações, reduzir o risco, procurar doença oculta em casos seleccionados e impedir os eventos major

O inquérito em curso é apenas a primeira parte de um projecto mais abrangente, onde é essencial conseguir fazer o ponto da situação sobre o que as pessoas com diabetes sabem sobre a DCV ou como a entendem em termos de evolução da sua diabetes. 

A partir daí, urge definir objectivos e metodologias para aumentar a percepção das populações, reduzir o risco, procurar doença oculta em casos seleccionados e impedir os eventos major. Aumentando a esperança e qualidade de vida .

Nota: Entretítulos e destaques da Redacção

*Cardiologista (APDP e  Hospital CUF Infante Santo)

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09 de Janeiro de 2018
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