João Paulo de Oliveira| 08.11.2015

Sim, há alternativa

Tempos prenhes de alegria adornam o ocaso da minha vida.
Quarenta anos depois do 25 de Novembro e da independência das colónias, 25 anos depois da queda do muro de Berlim, as esquerdas portuguesas conseguiram finalmente o que até agora parecia difícil, senão impossível, e fácil e natural para as direitas: unirem-se em torno de um programa mínimo para governar o País, de forma estável e duradoura.

O futuro ninguém o poderá desenhar hoje.
São de prever dificuldades, pressões inauditas, sobressaltos decorrentes das areias movediças que a Europa atravessa, enfim…
Mais não posso fazer do que desejar veementemente o triunfo da solução encontrada para conduzir Portugal de acordo com a vontade da maioria dos cidadãos expressa nas urnas em 4 de Outubro, materializada na rejeição da coligação de direita por 50,87 por cento dos votos.

Todavia, o que a solução encontrada significa, independentemente do êxito que vier a ter, é uma viragem histórica no País, e acaso na Europa. 

A partir de hoje, PS. PCP, BE e Verdes são partidos novos, no sentido em que jamais voltarão a ser o que eram.

Cada um deles aceitou o desafio de se abrirem a uma esquerda moderna, e por muitas dificuldades que surjam no caminho, tal semente germinará, decerto com recuos e avanços, mas germinará.

O que estamos a testemunhar é o início de uma nova era, a recomposição das forças políticas, o dealbar de uma nova forma de conceber as prioridades de Portugal e de estabelecer os seus desígnios.

O quadro é exíguo, os compromissos internacionais espartilhantes, mas a Europa não poderá ficar eternamente imune a este vento que sopra de um pequeno e antigo País. Que diz que, sim, há alternativa.

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8 de Outubro de 2015
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João Paulo de Oliveira

Jornalista

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